50 anos luz, câmera e ação
A fotografia de cinema por um de seus mais talentosos artistas
Compre agora
R$ 71,00

LiveType
ver
Tudo sobre produção de televisão
ver
Enciclopédia da Mídia Eletrônica
ver
Vídeo Digital
ver
      Sempre bem-humorado, com uma verve que revela nesse livro em dezenas de causos a servir de deflagradores dos temas que expõe, o autor, um dos mais criativos diretores de fotografia do Brasil, aborda o tema da iluminação e filmagem cinematográficas com requinte técnico e estético, e com muita elegância.
Geraldo Mayrink

Fotógrafos não sabem falar nem explicar o que fazem porque não sabem nem ler nem escrever, na avaliação malévola de outros comunicadores. Mantêm uma relação duríssima não com as letras, mas com a luz – não por acaso o título de 50 Anos Luz, Câmera e Ação. Trata de cinema, imprensa, publicidade, técnica e também de estética e história da arte. Edgar Moura joga nos dois campos – filma e escreve muitíssimo bem. Seu texto desmente que a fotografia seja uma arte de artistas mudos. Edgar Moura exige do leitor alguma familiaridade com o exercício de pensar. É um acontecimento raro. Tanto que Millôr Fernandes, que não filma mas escreve, nota, no prefácio: “Pode parecer estranho um fotógrafo escrever para um escritor ler e não para outros fotógrafos lerem. Mas não é tão estranho assim; fotógrafos fotografam para os outros fotógrafos verem”.

Edgar Moura escreve para que os outros leiam. É tão mestre pensador do seu ofício quanto o foram ou são Gregg Toland (o parceiro de Orson Welles), Raul Coutard (da nouvelle-vague inteira) ou Vittorio Storaro (dos filmes de Bernardo Bertocucci, que se define como “escritor que escreve com a luz, que foto-grafa”). Moura comenta brilhantemente essas relações. Por exemplo, do seu trabalho em 34 filmes brasileiros (entre eles Gaijin, Cabra Marcado Para Morrer, A Hora da Estrela). Ele conclui que a razão principal para se fazer filmes é a relação de amizade. Sem isso, nada acontece. Sem isso, os grandes Luis Buñuel (diretoríssimo) e Gabriel Figueroa (fotografíssimo) teriam até se matado. O chefe das imagens enquadrava tudo com perfeição, e aí vinha o chefe de tudo, tirava a câmera do lugar e ordenava: “Agora, pode rodar”. Assim são os fotógrafos.

      Para o oficío de Diretor de Fotografia exige-se muito conhecimento técnico.
      E também é indispensável uma atualização contínua dos instrumentos de trabalho e o estudo ininterrupto de novas tecnologias.  Ou o seujeito se dedica muito ou não encontra espaço no já reduzido mercado profissional.
      Não bastasse isso, um grande perigo ronda tanta aplicação: o sujeito pode ficar de tal modo absorvido com sua formação técnica que esquece para que ela serve. Como a célebre questão formulada pelo poeta Ascenso Ferreira e por ele mesmo respondida: 'e tudo isso para quê? Para nada'. Aí está, então, o nó da questão. Para que tanto estudo? Para que tanta dedicação? É essa a pergunta que fazem os profissionais atentos.
      No 50 anos luz, Edgar quer saber antes de mais nada para que tanta sabedoria. Quer saber a serviço de que ou de quem ela está.
      A seguir, depois de mostrar para que serve o conhecimento, compara toda a sabedoria fotográfica com as manifestações da luz natural, já existente milhões de anos antes da invenção de Lumière.
      Feito esse serviço, findas todas as comparações, Edgar guarda o fotômetro, dispensa os filtros e sobe na grua. Aí é ainda mais legal: lá de cima, ao lado de Alex, às vezes irônicos, sempre atentos, os dois tecem considerações sobre homens e mulheres que vivem de fazer filmes.







Foi fotógrafo do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, em 1968. e da Agência Gamma, em Paris, de 1973 a 1986, além de cartunista, colunista e fotógrafo do semanário O Pasquim, do Rio de Janeiro, de 1973 a 1986.
Em sua área de atividade principal, o cinema, já tem 35 filmes de longa metragem em seu currículo como diretor de fotografia, além de sete trabalhos na televisão e vasta atuação em publicidade.
Edgar Moura cursou o Institut National Supérieur des Arts du Spetacle, Section: Image, em Bruxela, Bélgica, de 1969 a 1972, foi professor colaborador na Universidade Federal Fluminense de 1976 a 1978 e tem publicado, além de 50 anos luz, câmera e ação, o livro Câmera na Mão, pela Funarte.
Aceitamos pagamentos com Visa, MasterCard, Diners, American Express, Hipercard, Aura, Bradesco, Itaú, Unibanco, Banco do Brasil, saldo em conta PagSeguro e boleto.
Dúvidas? Clique aqui para enviar um email.
--Página Principal-- --Técnicas-- --Passo-a-passo-- --Áudio profissional-- --Vídeo profissional-- --Publicações-- --Fale conosco--
clique aqui para comprar
                                                                                     E a luz foi feita
                                                                                     Millôr Fernandes


          Edgar Moura foi um desenhista do Pasquim, jornal publicado aqui no Rio, no fim dos anos 60. Bom de traço e de significado, o Edgar. Quase menino, não chegou a amadurecer desenhos e legendas, se mandou para artes e ofícios mais importantes. Cinema, iluminação, direção de fotografia, estudos dessas habilidades urbe et orbi. De longe eu o acompanhava. Em nossas profissões, apaixonantes, jornalismo, ciclismo, tiro ao alvo, cinema, roleta-russa, todos, mais ou menos, nos acompanhamos. Vi Edgar crescer - inclusive em tamanho, acho que chegou aí a um e noventa - pelas ruas de Paris, Bruxelas, Michigan e até Moçambique (até por quê, Millôr?), pelo casamento (que inveja!). De repente me telefona por um prefácio para o livro do qual eu nem suspeitava - não suspeitava o escritor no Edgar, ora!, ora! - e que agora está aqui. Se chama 50 anos luz, câmera e ação. Um calhamaço. Um calhamaço de 444 páginas. Soberbo calhamaço.
          Se você gosta alguma coisa de fotografia (não still, mas a foto-grafia em movimento, de cinema), vai pedir mais. O homem entende do riscado, vai da prática à teoria e volta desta a modos de fazer (não pense em livrinhos how-to-do, é filosofia de trabalho) com uma elegância e uma precisão de escritor nato. E experimentado. Por tudo perpassa (?) o mais fino humor, em sua forma melhor, a ironia, em sua forma maior - auto-ironia. Sem explicitar, Edgar deixa claro que não pretende salvar o mundo com a sua profissão. Nem com seu livro. Acho bom.
          Dê uma olhada em qualquer capítulo. Comece pelas janelas de Vermeer. Como você não vai parar, logo ficará encantado em saber o que é a natureza da luz e onde está sua origem - o homem leu tudo sobre o assunto e aqui entra, acho, até Goethe -, o que é uma luz dura, um corpo negro, um contraluz difuso, o tripé (iluminado) da criação. E por aí vão muitos capítulos de visão criativa sobre a admirável realidade que nos cerca, mas que, Edgar me convence, pode ser muito melhor iluminada. Afinal de contas o fiat lux foi só um improviso.
Copyright - 2012- Ricardo Pizzotti
Todos os direitos reservados