Opções de Fones A chave para um monitoramento pessoal de sucesso reside na qualidade dos fones usados. Todos os componentes de qualidade premium no caminho do sinal serão ineficientes se usados com um fone auricular de baixa qualidade. Um bom fone deve combinar fidelidade de áudio em toda a gama de freqüências com boa isolação, conforto, e aparência discreta. Os tipos de fones auriculares disponíveis no mercado vão desde os genéricos de baixo custo (e qualidade), usados para Walkman®, até projetos altamente personalizados, com moldagem dos dutos auditivos. Cada tipo tem suas vantagens e desvantagens. Embora relativamente acessíveis
em termos de preço, os fones “genéricos” para Walkman® têm a isolação mais baixa de todos e não são realmente projetados para resistir aos rigores do uso profissional por músicos (isso, além do fato deles não pararem nos ouvidos quando você se pula ou faz movimentos bruscos!).
O procedimento para obter moldes personalizados envolve uma visita a um audiólogo. Esse profissional faz um molde dos seus canais auditivos colocando primeiramente um tampão interno no seu duto auditivo, preenchendo-o depois com um composto à base de silicone, que se amolda perfeitamente às dimensões de seus ouvidos. Esses moldes são então usados para criar os fones personalizados. O ajuste final exige uma nova visita ao audiólogo. Nos Estados Unidos, as empresas Ultimate Ears e Sensaphonics são exemplos de empresas dedicadas a tarefa. Algumas empresas brasileiras também prestam esse tipo de serviço.
Fones auriculares universais combinam a qualidade sonora e o isolamento superior dos moldes personalizados com a versatilidade e disponibilidade “ao sair da caixa” dos fones de consumidor. A natureza “universal” é atribuída às mangas adaptadoras intercambiáveis para duto auditivo. Esse projeto permite que o usuário experimente vários adaptadores de silicone, para determinar qual é o mais adequado, além de poder experimentar os fones antes de comprá-los. Os diferentes adaptadores incluem modelos em espuma, em silicone flexível, pontas tipo flange em borracha e moldes personalizados, cada um com suas vantagens e desvantagens. Espuma A opção mais comum para fones auriculares.
Os adaptadores de espuma lembram os tampões comuns de ouvido, mas com um orifício central, recoberto por um tubo plástico. O eixo do fone é introduzido nesse duto, com a face brilhante para fora. Para ajustar adequadamente o fone em seus ouvidos, comprima a espuma tanto quanto possível, introduzindo o fone no canal auditivo. Segure-o no lugar até que a espuma se expanda completamente, formando um selo hermético. Passe o cabo por cima de sua orelha. Repita o procedimento na outra orelha, e então use o tubo plástico de ajuste do cabo para reduzir folgas excessivas. (o fone para o ouvido esquerdo é marcado por um ponto azul, e o direito, por um ponto vermelho).
As espumas oferecem excelente isolação e boa performance nos graves. O ponto negativo é que elas eventualmente ficam sujas ou gastas, precisando ser substituídas.
Fones auriculares
Adaptadores Personalizados A quarta e mais cara opção consiste dos adaptadores personalizados. Estes combinam a facilidade relativa de instalação no ouvido e sua permanência no lugar com a isolação superior (dependente da preferência do usuário) das espumas. O processo para obtenção de adaptadores personalizados para os fones Shure é similar ao dos moldes personalizados do duto auditivo, demandando uma visita ao audiólogo para a confecção da moldagem. Adaptadores personalizados dão aos usuários muitos dos mesmos benefícios dos moldes personalizados para duto auditivo, mas geralmente a um custo menor, com a vantagem adicional de se poder intercambiar os fones retendo os adaptadores, em caso de perda, roubo, ou envio para a assistência técnica.
Por último, se houver algum problema com um fone auricular do tipo “universal”, sua substituição não acarreta qualquer repercussão negativa. Um fone com molde personalizado não oferece esse tipo de versatilidade. Caso um deles necessite de reparo, a única alternativa é possuir um par reserva (a um custo relativamente elevado) para usar nesse ínterim.
Transdutores dos Auriculares O funcionamento interno dos fones também varia. Há dois tipos básicos de transdutores - dinâmicos e de armadura balanceada. Os fones do tipo dinâmico funcionam sob os mesmos princípios dos microfones dinâmicos e da maioria dos alto falantes comuns. Um diafragma delgado é ligado a uma bobina de fio, suspensa em um campo magnético. Os materiais empregados no diafragma incluem o Mylar (no caso de microfones dinâmicos) ou papel (para alto falantes). Quando uma corrente é aplicada à bobina, que é suspensa em um campo magnético permanente, esta vibra em simpatia com as variações de voltagem. A bobina então força o diafragma a vibrar, perturbando as moléculas de ar circundantes, e causando as variações na pressão de ar que interpretamos como som. Transdutores dinâmicos são usados principalmente nos tipos “comuns” de fone (tipo Walkman®), embora também sejam encontrados em alguns fones com moldagem personalizada. Utilizados inicialmente na indústria de aparelhos auditivos, os transdutores de armadura balanceada (vide figura4) combinam tamanho menor com maior sensibilidade. Um “braço” de metal em forma de ferradura possui uma bobina enrolada em um lado, com o outro suspenso entre os pólos norte e sul de um magneto. Quando se aplica corrente alternada à bobina, o braço oposto (aquele suspenso no campo magnético) é puxado para um dos pólos do magneto.
As vibrações são então transferidas ao diafragma, geralmente constituído por uma folha de espessura muito delgada.
Transdutores por armadura balanceada são similares aos elementos usados em microfones por controle magnético. Obter uma boa vedação entre o fone auricular e o canal auditivo é crucial para obter uma resposta de freqüência adequada.
No outro extremo do espectro, fones com moldes personalizados de duto auditivo (vide figura 1) oferecem qualidade de som e isolamento excepcionais, mas são extremamente caros e impossíveis de testar antes de comprar. Figura 1 - Fone com Molde Personalizado (SP2000, cortesia de Sensaphonics)
A instalação correta das espumas também é um processo um pouco mais demorado - comparado com outras opções - já que é preciso segurar os fones no lugar até que a espuma expanda.
Figura 2 - Fones de transdutor simples com espumas.
Outra subdivisão ocorre com o uso de transdutores múltiplos dentro do fone auricular. Fones com transdutores duplos são o tipo mais comum (veja a figura 4). Outro exemplo de caixa acústica com projeto duplo é a caixa que tem uma corneta (tweeter) para reprodução dos agudos, e um woofer para os graves. O espectro de freqüências é dividido em dois por um circuito de crossover. Cada transdutor só tem que reproduzir a faixa de freqüência para a qual foi otimizado. Fones com transdutores duplos funcionam com um princípio similar - cada fone inclui um “tweeter” e um “woofer”, otimizados para desempenho nos agudos e nos graves, respectivamente. Adicionalmente, um crossover passivo é embutido no cabo, para dividir o sinal de áudio em múltiplas freqüências. O resultado final é uma resposta muito mais estendida de graves e de agudos, algo de interesse especialmente para baixistas e bateristas, cujos instrumentos geram bastante conteúdo de baixas freqüências. O Ouvido Ocluso Uma nota final para usuários novatos de fones “In-Ear”. Quando o seu canal auditivo está selado acusticamente (“fechado”), a experiência auditiva é diferente daquela com que você deve estar acostumado, o que pode significar a necessidade de um período de adaptação para quem sempre usou os monitores tradicionais, de chão. Um “efeito colateral” comum nos vocalistas é cantar com menos energia. O choque súbito de ouvir-se sem qualquer estresse faz com que alguns vocalistas cantem mais baixo do que fariam normalmente, dificultando a tarefa do técnico de PA em conseguir um nível adequado dos vocais na Mixagem. Lembre-se de que esse técnico ainda está lutando contra as leis do “PAG” (releia o texto sobre esse tópico), portanto, os cantores devem soltar suas vozes! Outro efeito colateral do ouvido totalmente selado é um acúmulo de baixas freqüências no canal auditivo. Isso ocorre porque os ossos internos do ouvido ressoem devido aos níveis de pressão sonora que se acumulam na parte de trás da boca. Essa ressonância geralmente ocorre abaixo de 500 Hz, e resultam em um som “oco”, que pode afetar vocalistas e músicos tocando instrumentos de sopro. Estudos recentes mostraram, entretanto, que os moldes do canal auditivo podem penetrar mais profundamente no canal (além da segunda dobra), reduzindo o efeito da oclusão do ouvido. A vedação mais profunda reduz a vibração das áreas ósseas do canal auditivo.
Adaptadores Flexíveis Para instalar e remover rapidamente os fones prefira os adaptadores flexíveis de silicone. Feitos de plástico macio e flexível são disponíveis em três tamanhos: pequeno, médio e grande (S, M ou L). A instalação é muito simples, bastando colocar o adaptador no ouvido e passar o cabo por cima da orelha, como detalhado acima. Embora a isolação não seja tão hermética quanto a proporcionada pelas espumas, os adaptadores flexíveis são laváveis e reutilizáveis. Adaptadores com Flange Tripla Uma variação dos adaptadores flexíveis, os de Flange Tripla possuem três anéis de borracha (ou flanges) em torno de um tubo central de borracha. Os prós e contras são similares aos dos adaptadores flexíveis, mas os de Flange Tripla possuem fatores diferentes de conforto que alguns usuários preferem.